Moradores das regiões da Chapada e da Boa Vista, em Ponta Grossa, estão sendo surpreendidos por notificações da concessionária de linha férrea Rumo. Nos documentos já entregues às mais de 100 famílias, a empresa diz que as casas estão construídas sob faixa de domínio da malha ferroviária e, por isso, elas terão de deixar os locais.
Preocupados, moradores procuraram, na tarde desta quarta-feira (27), o presidente da Câmara Municipal, vereador Julio Kuller (PL), para apresentar o problema.“A Rumo mandou notificações para eles saírem de casa, sem aviso nenhum. Tem gente morando há 50 anos, cuidando do terreno, limpando”, disse Kuller.
Sirlei de Oliveira Ramos mora às margens da linha férrea, na Vila Real, há três décadas e detalhou a situação ao presidente da Casa. “Ele [funcionário da Rumo] entrou no terreno, mediu, entrou na casa, mediu e disse que metade da casa é da Rumo. Mas e a família vai ficar onde?”, questionou.
O líder comunitário Evandro de Andrade disse que as famílias “estão desesperadas”, sem saber o que fazer. “Se for para saírem de suas casas, para algum lugar vão ter que ir”, observou.
Kuller garantiu que irá buscar uma solução para a situação propondo diálogo entre a concessionária, o governo federal e a Prefeitura. “Isso é inadmissível. Não vamos sossegar enquanto não tiver uma resposta da Rumo dizendo para onde essas famílias irão. Não entendo que a empresa tenha legitimidade para fazer as famílias saírem; isso é com a União”, destacou. “Vamos defender as pessoas que moram no Borato, Vila Real, Dalabona e outras vilas afetadas para que não sejam prejudicadas de forma alguma”, finalizou o vereador.

