Quais os principais problemas enfrentados pelos deficientes nas escolas do PR?

Quais os principais problemas enfrentados pelos deficientes nas escolas do PR?

Muito se fala sobre acessibilidade e educação especial, mas será que estamos trazendo esse discurso para a prática? Veja alguns problemas enfrentados por alunos com deficiência nas escolas:

Acessibilidade: talvez seja esse o nosso maior desafio. Como dar a todas e a todos as mesmas chances de irem para onde quiserem, como quiserem e da maneira como preferirem? Como garantir que as pessoas com deficiência – seja ela física, mental, intelectual ou sensorial – possam ter seus direitos assegurados, uma vez que é direito delas o acesso maior a todas as outras coisas: a escolarização?

Segundo o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro 1999, todas as escolas são obrigadas a aceitar estudantes com deficiência e ficam responsáveis pela construção e reforma de seus estabelecimentos a fim de proporcionar ao educando portador de deficiência meios de permanecer ali estudando. Além disso, esse mesmo decreto regulariza a inclusão, no sistema educacional, da educação especial como modalidade de educação escolar que permeia transversalmente todos os níveis e as modalidades de ensino. Entende-se por educação especial o atendimento educacional especializado o qual disponibiliza os serviços e recursos próprios desse atendimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular. Contudo, será que estamos proporcionando uma educação efetivamente acessível?

Um dos maiores problemas enfrentados por alunos com deficiência física é a falta da adaptação de infraestrutura necessária nas escolas, principalmente em escolas mais antigas. Como um exemplo, é possível citar o Colégio Estadual Regente Feijó, localizado no centro da cidade de Ponta Grossa, em que as salas de aula encontram-se um andar acima do térreo e pessoas com dificuldade de locomoção e cadeirantes tornam-se impossibilitadas de transitar livremente por esses espaços.

Outro ponto a ser destacado em relação à plena inclusão de pessoas com deficiência nas escolas é a escassez de profissionais especializados para acompanhamento e tratamento daqueles que deles necessitam, como é o caso dos alunos com deficiência mental ou intelectual, por exemplo. Nesses casos, o acompanhamento de fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos etc., se faz imprescindível. A situação que vemos acontecer hoje no estado do Paraná é que, nas instituições que, de fato, fornecem esses atendimentos, há um fonoaudiólogo para cada 100 pessoas com deficiência. Ou seja, a consulta, a qual deveria ser realizada semanalmente, passa a ser realizada apenas uma vez ao mês (ou nem isso, visto que muitos nem mensalmente são atendidos), atrasando e comprometendo o desenvolvimento e recuperação do deficiente.

No contexto da sala de aula, destacamos ainda outras dificuldades que estes mesmos alunos enfrentam, seja na falta de materiais, recursos e equipamentos adaptados para aqueles que possuem deficiência visual, seja o número elevado de alunos que não permite ao professor direcionar e adaptar suas atividades de acordo com os educandos que necessitam de atendimento individualizado, seja a limitação imposta pela Secretaria de Estado da Educação na contratação de Professores de Apoio Educacional Especializado (PAEE), os quais ficam restritos a trabalhar com determinados tipos de síndromes e não outros, como o caso da Síndrome de Down, a qual não está especificada no documento viabilizado pela Secretaria, obrigando os pais e responsáveis por crianças portadoras da Síndrome de Down a ficarem reféns de outros serviços como a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Diante de situações como as listadas acima, pais e responsáveis ficam, muitas vezes, conformados, pois parece não haver meios de garantir aos seus filhos e entes queridos a possibilidade de uma educação básica verdadeiramente inclusiva. Até quando?

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